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Assuntos do quotidiano, amor, família, amigos e várias experiências de vida. Fica por aqui ;)

O meu livro todos os dias !!!!

Minha avó materna fazia broa e no dia de fazer pão, eu acordava e ia logo à masseira que estava na cozinha à beira da lareira acesa. Espreitava com cuidado, a massa da broa. Não me atrevia a tocar porque sabia que não devia e pedia à minha avó para fazer uma broa pequenina, só para mim e outra para a minha irmã. Depois da manhã toda de volta do forno a lenha, vinha o cheiro já característico do pão a acabar de fazer. Espreitavamos ao longe, ela a tirar as broas com a pá e colocá-las numa cesta de verga. As nossas broinhas lá vinham a escaldar. Nós corriamos para abrir  a broa e colocar manteiga a derreter, de tão quente que estava. Queriamos lá saber se nos queimávamos, queriamos era comer enquanto estava quentinha. Hoje recordo com muita saudade. Ela faleceu com cem anos e deixou muita saudade. Esta é das melhores e lindas recordações que tenho dela, entre tantas e tantas que me fazem vir as lágrimas aos olhos. Estavamos sempre com a avó todas as férias de Verão, eram na altura, uns três meses seguidos. Quando voltávamos para a cidade depedia-se de nós a chorar muito e eu abraçava-a,  para a consolar. Ela balbuciava sempre: «para o ano, sabe-se lá se ainda cá estou» e eu dizia sempre que ela iria viver até aos cem anos. Dito e feito.

Que saudades tuas minha avó! Se pudesse trocava parte da minha vida para estarmos todas juntas outra vez na terra, a cozer pão e fazer bolinhos. Que saudades.

Agora, faço as belas filhoses da minha linda avó, tal e qual como ela fazia. Faço perfeitinhas para ela ter orgulho de mim. Que boas que são e tantas coisas me lembram, estas delícias da terra da minha querida avó. Nunca fiz broa tal e qual como a minha avó fazia mas, se Deus me deixar hei-de um dia fazer tal e qual como ela fazia.

Se muitos soubessem como era tão bom o arroz de maranho feito por ela. Estava tudo à porta só para poder provar. Nem eu sei fazer, infelizmente, é coisa que ainda não sei fazer como ela.

Por detrás da casa, havia uma cerejeira sempre muito carregada que era a perdição dos miudos da aldeia e a nossa também. Comiamos tanta cereja daquela maravilhosa árvore que ainda hoje como cerejas, desalmadamente quando compro nos mercados aqui em Lisboa. 

E só para vos fazer mesmo muita inveja, a minha avó fazia queijo de cabra como ninguém. Tinhamos sempre queijinho grande, delicioso para o lanche mais o doce de tomate e a marmelada, tudo caseiro. Ela comprava de propósito só para nós, a bela groselha que nos servia ao lanche. As batatas fritas ao jantar e ao almoço, feitas na lareira eram únicas, nunca mais comi com aquele sabor tão bom.

A vida é linda quando as pessoas vivem com a simplicidade e amor. Ali não havia discusões dos meus pais pois eles não estavam conosco e nós viviamos uma vida santa de alegria imensa, naqueles Verões de quarenta graus de calor mas que eram maravilhosos, com uma água fresca maravilhosa que saía da tormeira e de todas as fontes da aldeia. 

Percorriamos as ruas da aldeia todos os dias de uma ponta à outra sem nos cansarmos. Não havia ginásios, andavamos sempre magrinhas, levezinhas como uma pena. Corriamos por todas as terras batidas de caminhos estreitos e comiamos amoras selvagens sem lavar. Até morangos selvagens havia mo meio das ervas e comiamos. Havia tudo. Não faltava nada. Hoje falta-nos tudo na cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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