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Assuntos do quotidiano, amor, família, amigos e várias experiências de vida. Fica por aqui ;)

O meu livro todos os dias

Desenhava muito em pequena, adorava desenhar os bonecos da Disney. Desenhava muitas bonecas e animais. Tentava pintar com aguarelas, guaches e lápis de cor. Quando recebi aos vinte anos, os primeiros escudos, comprei material de pintura e llivros para saber como pintar, com diversos materias. Comprei blocos de folhas canson, comprei caixas de pastel e tintas a óleo. Muito mais tarde ofereci um cavalete ao meu marido que era na altura, meu namorado. Na nossa casa, pintamos nesse cavalete. Ele desenha e pinta muito bem.

Temos trabalhos feitos por nós que estão guardados. Já pintei quadros para a minha casa, família e amigos. O meu marido quando estudou, escolheu a área de artes mas eu fiquei na área de ecomomia.

Trabalhei vários anos no atendimento ao público mas as artes, no que tenho mesmo vocação, faço porque gosto muito. Na realidade, pouco ganhei com os meus trabalhos ligados às artes.

Pego numa caneta ou num lápis e faço as minhas obras, pinto, escrevo e crio coisas diferentes como alguns vestidos num papel. 

Eu sempre tive os meus dons que ficaram só para mim, a família e amigos. Nesta sociedade não se valoriza estas coisas, dizem muitos. Se eu nasci assim por algum motivo foi. Assim continuo a escrever, a desenhar. a pintar e a criar.

Sempre adorei histórias, entretia-me a criar histórias em pequena. Adorava fazer composiçóes. Gostava de fazer trabalhos para a escola, onde podia fazer coisas diferentes. Cheguei a fazer roupa para bonecas e ficava tão contente. Adoro ver teatro, filmes, novelas cómicas...

Adoro festas e convívio. 

Adoro fazer uma boa refeição e servir. Gosto de criar e fazer tudo diferente. Gosto de falar muito, encontrar pessoas numa onda positiva.

Pesquiso muito em livros de astrologia e numerologia. Sempre gostei. Procuro novidades no sentido de conhecer coisas diferentes como os cristais e as cartas. Acredito numa vida espiritual com seres superiores a nós.

Valorizo as boas intenções e atitudes, gosto da simplidade, a vida com a família e amigos.

 

 

 

O meu livro todos os dias

No ano de 2011 decidi fazer um curso de massagista, massoterapeuta. A minha professora de massagens era muito profissional e aprendi muito com ela. Comecei logo a praticar em casa com a família os primeiros movimentos de massagem e continuei sempre a praticar em casa. Todos em casa gostavam e começaram a sentir-se melhores das costas e das pernas. Sentiam muito a diferença. Os meus pais na altura, estavam na casa dos sessenta anos e precisavam muito de tratamentos. Foi assim que todos gostaram tanto das massagens que quando acabei o curso também a minha irmâ, decidiu inscrever-se na mesma escola e fazer um curso de massagem de spa e estética. Hoje em dia ela tem a loja dela que começou em 2018, onde continua. Encontrou uma área que ela abraçou e que gosta muito.  Eu fiquei com o curso de massoteraputa, auxiliar de fisioterapia mas como em 2012 o mercado de trabalho estva quase a zero, náo consegui encontrar trabalho em clínicas. Mesmo assim foi muito útil para mim porque fazia massagens em casa só a familiares e amigos em troca de nada. A minha irmã como trabalhava muito como massagista, precisava dos meus tratamentos constantemente. Como podem calcular é um trabalho duro por isso é essencial receber tratamentos quando necessário. 

Nestes cursos tivemos aulas cerca de um ano com várias disciplinas, inclusive técnicas de massagem, anatomofisiologia, nutrição, diatética e primeiros socorros. Muitas outras disciplinas tivemos e aprendemos muito numa época que ainda mal se falava em massagens. Havia muito pouco e poucos profissionais. Agora há muita gente que trabalha nesta área, mas não quer dizer que sejam bons profissionais.

Muito mais tarde em 2016 comecei a receber reiki e fiz os três niveis de reiki. Este ano fiz o terceiro nível. Esta experência, nova na minha vida, fez-me mudar a minha maneira de ser e de estar. Aprendi a ser mais moderada, não ser tanto conflituosa e aceitar as coisas como são, evitando julgar os outros e inclusive a aceitar-me como sou, com os meus defeitos e as minhas virtudes. Aprendi a não parar, lutar sempre e não baixar os braços. Nunca é tarde e principalmente podemos recomeçar de novo, sempre. Mesmo  que sejam mais de mil vezes.

 

 

 

O meu livro todos os dias

O meu primeiro livro foi escrito aos poucos durante alguns anos, nas horas mortas. Pensei muito naquilo que queria escrever e fiz com muita dedicação. Quiz fazer um livro que eu gostasse mesmo muito e adoro o meu livro. Não houve ninguém que não gostasse de o ler. Ofereci vários a amigos e família. Também vendi muitos. Para mim foi um sucesso apesar de ter sido só uma centena de livros impressos e por consequência vendidos e alguns dados. A história é um conto sobre a natureza, os animais, o amor, família e amizade. Trata-se da  vida de uma menina que descobre um lugar místico maravilhoso no meio da floresta e no fim se apaixona por um homem. Durante a história existem várias personagens que interagem com ela e a floresta tem um lugar encantado, nunca visto por ninguém. A menina  descobre esse lugar numa viagem que fez sózinha, correndo perigos e ela acaba por se perder no meio da floresta. Tudo se resolve mo fim mas claro que a história vai se desenrolando com muita coisa bonita no meio.

Para quem um dia, esteja interessado em ter este conto, basta me pedir. O conto tem o título «Terra Azul». Tenho um novo livro para publicar e tem como tema os animais, onde estes, percorrem a história do príncipio ao fim do romance de duas pessoas incríveis. 

Estes trabalhos feitos por mim são realizados com muito cuidado na escolha da história e das personagens. Foi muito pensado em cada palavra e cada capítulo, mas vocês vão ter que esperar por este novo livro que irá ser editado mais daqui para a frente. 

Eu comecei a escrever muito desde pequena, através de cartinhas para a família, amigas e amigos. Todos os natais e aniversários mandava também postais para todos os amigos e família. Eu adoro estas pequenas coisas, adoro cadernos, diários, agendas, canetas e todo o material de pintura. É das coisas para mim mais importantes na minha vida desde muito pequenina. A música é também muito importante, não vivo sem música e eu fui em 2021 ao concerto do André Rieu no parque das nações. Foi uma coisa que não vos consigo, nem descrever. Aconselho a todos mesmo todos a assistirem uma vez na vida. É um encanto e mesmo lindo. Amei muito. Vim com o meu coração cheio na altura do Natal. Fui claro está com a cara metade, meu marido. 

 

 

O meu livro todos os dias

Em Janeiro de 2020 completei quarenta e três anos e fiz uma pequena loucura. Fui com os meus pais, a minha irmã e o meu marido até ao Gerês almoçar. Fomos de manhã e viemos à tarde de volta para casa. Almoçamos no restaurante «A capela». Foi uma experiência fixe, porque nunca tinha feito tantos quilómetros de carro num dia. Nesse dia chovia e havia muita água que corria pelos vales e pelos carreiros das estradas e caminhos. A minha mãe toda vida, dizia que queria ao norte e nesse dia que foi ao norte do país, estava deserta para vir para casa pois teve medo daquela água toda.

Gostei muito de ver o Gerês naquela estação de Inverno com muita água e tudo verde. Foi um dia mesmo muito bom que ficou marcado na minhas memórias. Nesse ano surgiu a pandemia e pensei para mim... ainda bem que cometi esta pequena loucura antes de aparecer o vírus. De nós todos ninguém esqueceu mais aquele dia do Gerês. 

Eu tinha ido lá em 2006 e 2015. Foi tudo fantástico e adorei as pessoas, o lugar. É um dos melhores sítios para visitar. Sempre que lá vou, compro mel, o melhor mel do nosso país. Na primeira vez, fui com o marido, ainda namorávamos e foi a minha primeira viagem com ele, onde percorremos quatro dias ou cinco por aqueles caminhos do norte. Visitámos tantos lugares e prometi a mim mesma voltar ao Gerês, para passar pelo menos uma semana. Em 2015 lá fomos e foi um must. Depois da Madeira fico sempre cheia de saudades, só de lembrar essas férias. 

Houve um antes e depois dos trinta anos, a minha vida teve coisas inesquéciveis como estas. A vida não é só açúcar e tive muito fel também, como lutar para pagar a nossa casa, relacionarmo-nos com certas e determinadas pessoas de família e vizinhos. Problemas de trabalho  muito stressantes e quando enfim surgiu a pandemia, tivemos anos praticamente isolados, só nós os dois em casa com as minhas duas gatas.

Na pandemia a nossa relação a dois, também ficou mais forte e habituámo-mos a estar sempre juntos, custou-nos imenso quando ele voltou a ir para o escritório trabalhar. Foi uma altura que nós passámos a conhecer-nos ainda melhor. Foi bom para nós os dois.

Na vida de casal, o tempo junto é decisivo e quando não há tempo, as coisas ficam só mornas. Antes da pandemia, não tinhamos quase tempo nenhum para nós, por causa do trabalho mas naqueles anos juntos ficámos diferentes e mais ligados como, nunca tinhamos estado. 

Passeávamos muito de carro nas horas depois do teletrabalho pelos arredores e quando foi permitido irmos mais longe, iamos muitas vezes para a terra da minha avó. Foi muito bom. Há muitos anos que não ia tantas vezes à terra da minha falecida avó. Foi em 2021 que lancei o meu livro «Terra Azul». Um conto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu livro todos os dias

Sempre gostei de cavalos. O meu pai desenhava cavalos para mim quando era pequena numa pequena folha com uma esferográfica. O meu pai dizia que era o animal mais bonito de todos. «O cavalo é um animal lindo» dizia ele para mim e continuava a desenhar. Eu daí em diante também adorava-os.

Quando casei , com trinta anos, na estadia da lua de mel num hotel em Beja, cumpri um sonho lindo, andei num cavalo branco. Foi divertido mas doía tanto as pernas porque temos  quase fazer esparragata. Pois o corpo do cavalo, o tronco é largo.  Assim lá consegui montar o cavalo com a ajuda de um  senhor que colocou as mãos a jeito para eu colocar o pé e subir para o dorso do cavalo.

Mas vocês pensam o quê que foi fácil andar no cavalo? Custa e quem não faz exercício difícilmente consegue montar um cavalo. Mais tarde, uns anitos tive outra aventura maravilhosa. Andei de avião e vi Lisboa muito pequenina quando levantei voo. Parecia que a terra onde tinha vivido tantos anos era minúscula, que depois desapareceu  ao longe. Aterrei na Madeira.  Achei muito engraçado as comidas que nos deram no avião e ver as nuvens. na janela. Parecia eu uma criança com um brinquedo novo. Eu tinha já meus trinta e três anos.

Quando estava na Madeira, parecia que estava noutra dimensão, foi magnífico para mim, foi a viagem mais linda da minha vida e foi a melhor altura de todos os tempos. Tanto pela viagem mas também porque ja estava casada e muito feliz. Seguiram-se muitos anos e vivi muita coisa ao lad do meu marido. Na viagem da Madeira eramos os dois inconscientes e viviamos muito felizes mas depois veio a crise de 2011. Não preciso escrever muito para vos mostrar como do céu fomos para o inferno mas isso não quero nem pensar. Foram tempos difíceis mas que superámos tudo com muitos problemas, lágrimas, doenças e de tudo um pouco.

A vida poe-nos sempe à prova e tudo vale a pena fazer com muita garra e dedicação. Em 2013 tornei-me bloguista. Sim fiz o meu primeiro blogue de dona de casa, tipo fada do lar que depois não gostei e elimei em 2016 para começar um novnho em folha, este onde vos escrevo «..Raios de sol»

Fiz tanta coisa que me orgulho depois dos trinta anos. Comecei a pintar a óleo, pintei peças decorativas, escrevi o meu primeiro livro...

 

O meu livro todos os dias

Na aldeia da minha avó materna, havia sempre festa de Verão em Agosto. Comecei a dar os primeiros passos a dançar nos baliraricos da festa, com treze anos. Aprendi  rápido e muito dançava em todos os anos, naquelas festas da aldeia e nos arredores. Quando não haviam festas, nas noites de Verão, iamos para os cafés e naqueles tempos divertiamo-nos só na conversa, a jogar às vezes, matraquilhos mas na maioria ficávamos só pelas conversas, bebendo sumos ou cerveja com gasosa.  Éramos um grupo de raparigas e rapazes. Bons tempos de divertimento onde a única preocupação era divertirmo-nos. Os anos passaram e mais tarde, quando todas nós, as amigas seguiram a sua vida a trabalhar, foi difícil voltarmos a ver-nos.  

Depois dos nossos vinte anos, ficou um vazio e apesar de contactarmo-nos por cartas e mais tarde via internet, nunca mais voltou a ser como antes. Todos se afastaram mas eu continuei a ir à aldeia da minha avó para visitá-la.  Naquelas noites das festas, recordo-me das danças com amigas e rapazes dali. Riamos tanto e tão alto. Festas rijas com muita alegria, com muita música e durava três dias, lá na aldeia. Mais tarde passou a ser quatro dias de festa, passou a começar à sexta e terminar à segunda-feira.

Ao longo das férias  de Páscoa e Natal,  também se dançava na casa do povo, onde tinhamos espaço à vontade para dançar. Jogávamos pingo pong. Temos o rio perto da aldeia e um dia, fui num belo passeio de barco e até consegui remar.  Talvez tivesse uns desazete anos. Adorei aquele dia, nunca mais esqueci.

Quando regressava à casa de Lisboa, para estudar, tudo mudava e sentia-me infeliz. Não gostava do sítio onde vivia e tive problemas de bulling na escola. Quando finalmente me livrei de uma das escolas onde me desrespeitavam, as coisas melhoraram e era aceite na nova escola. Ia de comboio todos os dias para a escola e adorava. Conheci muito bons prfessores e amigas. Só tive problemas mesmo no final da secundária por causa da disciplina de matemática.

Quando procurei trabalho fiquei oito meses a enviar curriculos e finalmente depois de tantos meses, fui trabalhar para a antiga pt comunicaões como operadora de call center.

Foi o meu primeiro trabalho e conheci várias pessoas que na altura eram importantes para mim. Mais tarde as coisas descambaram mas ficam as memórias de algumas pessoas que nunca mais vi ou ouvi falar.  

 

 

 

O meu livro todos os dias !!!!

Minha avó materna fazia broa e no dia de fazer pão, eu acordava e ia logo à masseira que estava na cozinha à beira da lareira acesa. Espreitava com cuidado, a massa da broa. Não me atrevia a tocar porque sabia que não devia e pedia à minha avó para fazer uma broa pequenina, só para mim e outra para a minha irmã. Depois da manhã toda de volta do forno a lenha, vinha o cheiro já característico do pão a acabar de fazer. Espreitavamos ao longe, ela a tirar as broas com a pá e colocá-las numa cesta de verga. As nossas broinhas lá vinham a escaldar. Nós corriamos para abrir  a broa e colocar manteiga a derreter, de tão quente que estava. Queriamos lá saber se nos queimávamos, queriamos era comer enquanto estava quentinha. Hoje recordo com muita saudade. Ela faleceu com cem anos e deixou muita saudade. Esta é das melhores e lindas recordações que tenho dela, entre tantas e tantas que me fazem vir as lágrimas aos olhos. Estavamos sempre com a avó todas as férias de Verão, eram na altura, uns três meses seguidos. Quando voltávamos para a cidade depedia-se de nós a chorar muito e eu abraçava-a,  para a consolar. Ela balbuciava sempre: «para o ano, sabe-se lá se ainda cá estou» e eu dizia sempre que ela iria viver até aos cem anos. Dito e feito.

Que saudades tuas minha avó! Se pudesse trocava parte da minha vida para estarmos todas juntas outra vez na terra, a cozer pão e fazer bolinhos. Que saudades.

Agora, faço as belas filhoses da minha linda avó, tal e qual como ela fazia. Faço perfeitinhas para ela ter orgulho de mim. Que boas que são e tantas coisas me lembram, estas delícias da terra da minha querida avó. Nunca fiz broa tal e qual como a minha avó fazia mas, se Deus me deixar hei-de um dia fazer tal e qual como ela fazia.

Se muitos soubessem como era tão bom o arroz de maranho feito por ela. Estava tudo à porta só para poder provar. Nem eu sei fazer, infelizmente, é coisa que ainda não sei fazer como ela.

Por detrás da casa, havia uma cerejeira sempre muito carregada que era a perdição dos miudos da aldeia e a nossa também. Comiamos tanta cereja daquela maravilhosa árvore que ainda hoje como cerejas, desalmadamente quando compro nos mercados aqui em Lisboa. 

E só para vos fazer mesmo muita inveja, a minha avó fazia queijo de cabra como ninguém. Tinhamos sempre queijinho grande, delicioso para o lanche mais o doce de tomate e a marmelada, tudo caseiro. Ela comprava de propósito só para nós, a bela groselha que nos servia ao lanche. As batatas fritas ao jantar e ao almoço, feitas na lareira eram únicas, nunca mais comi com aquele sabor tão bom.

A vida é linda quando as pessoas vivem com a simplicidade e amor. Ali não havia discusões dos meus pais pois eles não estavam conosco e nós viviamos uma vida santa de alegria imensa, naqueles Verões de quarenta graus de calor mas que eram maravilhosos, com uma água fresca maravilhosa que saía da tormeira e de todas as fontes da aldeia. 

Percorriamos as ruas da aldeia todos os dias de uma ponta à outra sem nos cansarmos. Não havia ginásios, andavamos sempre magrinhas, levezinhas como uma pena. Corriamos por todas as terras batidas de caminhos estreitos e comiamos amoras selvagens sem lavar. Até morangos selvagens havia mo meio das ervas e comiamos. Havia tudo. Não faltava nada. Hoje falta-nos tudo na cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu novo livro todos os dias!!!

Numa estrada curva cheia de folhas de Outono, surgiam árvores cheias de ouriços com castanhas e oliveiras de seus mais de  quarenta anos de idade. Estava eu ali sem saber o que pensar e o que dizer, numa discussão comigo mesma. Não achava rumo e a minha cabeça era um turbilhão de vozes que me enlouqueciam. Andei, andei e andei sem saber o que fazer. Ao fundo de outro caminho de terra batida apareceu alguém, quem seria? 

Eu envergonhada com os meus pensamentos, corei e fiz de contas que não vi ninguém. A mulher mal vestida e já com uma certa idade veio ter comigo, pegou-me numa mão e acariciou. Olhou no fundo dos meus olhos e parecia que me despia a minha alma. Depressa se foi embora com um pequeno adeus. Era uma senhora dali da terra que me comhecia e viu que andava eu, ali sem alegria. Ainda disse baixinho vá para casa...

Voltei à realidade. Enfrentar a minha vida.

Num fim de semana mais tarde, tinha de me apresentar no dia seguinte para uma porcaria de um exame de escola. Que raiva, que ódio. Se eu pudesse mandar, não havia exames, nem testes nem o raio que os parta. Falava eu sózinha e ia para casa. Não vou pegar nos livros, isso é certinho. 

Cheguei a casa e para variar, lá havia discussão por causa de não sei o quê, o costume. Discussões e gritos todos os dias. Eram os meus pais que não sabiam mais o que fazer, senão discutir. Almoçámos, sentados à mesa com uma cara de enterro. Eu só pensava que faria eu naquele maldito exame, pois  eu não conseguia perceber nada daquela maldita matemática.

As horas passaram, acumulei uma carga enorme de ansiedade e nervos e às sete da manhã do dia seguinte, segunda feira, estava eu com o estômago embrulhado, só de pensar na merda do exame. 

Toda eu tremia e pensava, como vou eu terminar o décimo segundo ano? Sim como?

Chumbei, a matemática mais uma vez. Chorei, chorei e a minha vida estava por um fio. Toda eu deseperava sem saber o que fazer porque queria à força terminar aquele maldito décimo segundo ano. Os dias passaram, lá se passou mais um ano e até que eu disse para Deus, já não quero saber, que se lixe, não me interessa. Se chumbar, chumbei e já não faço mais nada. 

Então num dia, lembro-me como se fosse hoje, que eu já rendida, não pedi nada nem esperava nada. Lá estava na vitrine dos resultados que tinha finalmente concluído aquele ano maldito que eu odiei de morte.. O décimo segundo ano.

Acabou. Não voltei mais a estudar em escolas secundárias, muito mesnos universidades. Mal eu sabia que isto que aconteceu foi para me desviar de algo que iria atrasar a minha vida. Pois se eu fosse continuar a estudar, não tinha feito rigorosamente nada da minha vida e porquê?  Porque muitos anos mais tarde eu via gente com canudos na mão e sem trabalho enquanto eu já tinha trabalhado vários anos e construia a minha vida.

Passaram-se muitos anos e a história que tenho para contar mal começou. A vida presentea-nos todos os dias com coisas boas e coisas más. Eu descobri nesses anos de fim de escola que eu tinha de mudar o rumo de muita coisa, a começar em casa. Numa época de dinheiro eu penso em anjos e tudo de bom que Deus nos dá. Por isso eu sou do bem e acredito piamente que tudo que faço com Amor é a minha maior conquista na vida, agradar a Deus. Não interessa se eu sou pobre, se tenho ou não um canudo de universidade. A minha vida é com Ele. Tudo faço para o bem e se grito e espreneio com alguém é porque eu tenho toda a razão. Faço tudo para o bem e descobri com muitas lágrimas ao longo da minha vida que não vale a pena querer um carro novo, uma joía caríssima, vestir roupas caríssimas se o teu coração for oco.

Estudei, trabalhei e o resto não vos conto. É só meu mas, estou aqui nestas linhas, para contar pequenas partes de muitas histórias ao longo desta vida que são boas memórias e merecem ser escritas. Numa fusão de sentimentos, de alegria e tristeza vai surgir coisas boas e coisas más para se rirem mas também para apertar o coração. Gostaria que mergulhassem nesta nova minha aventura com entusiasmo e quem sabe, tirar ilações e inspiração para outros livros. Assim com todo o Amor faço deste livro numa partilha graciosa, encantadora e maravilhosa para todos vós.

Num belo dia da minha vida atribulada decidi fazer pela primeira vez um bolo. Com os meus onze anos ou doze não aguentava mais, tinha que criar um bolo. Não sabia nada de nada. Só sabia que tinha de levar ovos e farinha. Então estava completamente sózinha e fiz uma mixorda e acho que até coloquei água na massa... enfim uma desgraça. Eu pensei que ia resultar e coloquei no forno, acho que até untei a forma e tudo. Eu não tinha seguido nenhuma receita mas lembro-me tão bem, que a minha mãe comeu o bolo todo que parecia um queijo...de tão enqueijado que estava. Eu pensei...epá tenho de arranjar receitas e apartir daí, quando fiz o segundo bolo, sempre sairam uma maravilha. Com treze anos, eu até já sabia fazer tortas, era já uma doceira.  

Até hoje, sempre cozinhei mas comida boa que faz bem, aprendi mais tarde a fazer. Tinha uns quinze anos quando comecei a cozinhar refeições completas mas descobri só aos trinta e cinco anos, maneiras mais saudáveis de alimentação porque tive mesmo de mudar de hábitos alimentares. Sempre comi muitos legumes e frutas, peixe e carne mas houve uns anos que comia erradamente. Aquelas alturas que ainda não se engorda...

Fiz ao longo da minha vida, talvez, centenas e centenas de bolos e doces, sopas e refeições. Hoje em dia cozinho muito na mesma mas os doces, faço mais raramente por motivos de saúde.

Hoje em dia tenho vários livros de culinária que adoro e tenho dossiers escritos com receitas. Claro está que comprei a bimby já há uns dez anos ou mais mas ultimamente, utilizo menos. Gosto e adoro ver a satisfação na cara das pessoas quando comem a minha comida feita com toda  a dedicação e amor. Adoro todo o tipo de comidas do mundo, especialmente japonesa e indiana.

Tenho um Natal que nunca me vou esquecer, em casa dos meus pais. Fiz bolo inglês, bolo de chocolate, mousse de chocolate,  serradura, tarte de ananás e acho que também fiz baba de camelo e mousse de manga...

Nesse Natal  tivemos doces que duraram semanas ainda depois do Ano Novo....

Com tanto doce ainda comprámos filhoses, sonhos, broas castelar numa pastelaria para a consoada e não faltaram uma caixa enorme de 1 kilo de bomboms que comemos desalmadamente!!!! 

Ora isto foi há mais de vinte anos atrás. Porque agora, tudo acabou. Agora é só o essencial e uma ou outra sobremesa e ficamos por aí.

 

Amanhã estarei aqui convosco para continuar.

 

Beijinhos e Bom Fim de Semana!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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